Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

florbytes

Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

florbytes

Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

Folha de Outono

resistente.jpg

Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono

Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha

qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha

Ruy Belo

 

publicado às 08:30

Travessia...

Douro.jpg

Quando os olhares convergem o ponto é comum. O Douro que é internacional.

Nem meu, nem teu. É só, nosso.

Partimos num dia de chuva, já que a natureza escolhe a hora e o dia. Soube a pouco, mesmo com chuva a fustigar as vidraças. 

O barco deslizava e, embalava de mansinho. O quase silêncio, fez-se por obrigação.

Chiuuuuuuuuuu.  Chiuuuuuuuuuu. Chiuuuuuuuuuu. Chiuuuuuuuuuu.

Houve transmissão de conhecimento e informação sobre espécies. Fauna. Flora. Curiosidades. E se soube bem escutar. Sabia  melhor partir de novo em busca do silêncio e descobrir ao longo do rio, sons da natureza.  Ou então, simplesmente observar o lago das lontras. O ninho das cegonhas negras. Ou ainda, aceitar que a chuva nos sabe e faz bem, muito mais do que gostamos de admitir.

publicado às 11:37

Vem sentar-te comigo

20181113_093319.jpg

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                   (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                   Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                   E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                   Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                   Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in "Odes"

 

publicado às 01:03

O Outono em desafio

 

Anita, agradeço e vou retribuir ao tema, o Outono.

 

 

REGRAS

  • Criar um post no blogue e fazer uma hiperligação para o blogue que me nomeou 
  • Copiar as questões e responder de uma forma rápida e directa 
  • Nomear 3 bloggers para responder ao desafio (esta parte vou passar)

 

IMG_0453.jpg

As minhas respostas: 

Para mim Outono rimava com a palavra...

morno.

Tem mudado. Nos últimos anos a temperatura tem subido, há calor a mais. E a comprovar as notícias dos vários incêndios.

Por este facto o Outono em alguns locais tem rimado com a palavra: forno

Muito calor. Muita desgraça. Muito prejuízo. Muita aflição.

 

As minhas cores de Outono são...

Continuo em cores de Verão. O calor assim o pede. Ainda não passei para os pretos. 

Na natureza aguardo a chuva para ver sobressair os amarelos, vermelhos, castanho claros, escuros e ainda os assim-assim, os verdes desmaiados e ainda o ocre.

 

IMG_0447.JPG

Eu não gosto de uma cor. Gosto da paleta toda. Como ainda não choveu fico feliz de ver o restolho espalhado nos campos e palha seca no monte. Fico hipnotizada quando lhe toca o vento e parece uma conversa entre vizinhas a esvoaçar.

 

A minha fruta preferida de Outono é...

Nesta época escolho uma suculenta maçã.  Adoro cheiro a compota acabada de fazer. E claro, quando o tempo esfriar castanha assada a fumegar.

 

 A maior celebração de Outono...

É sem dúvida a festa das colheitas. O milho doirado pelo sol. As uvas maduras e as vindimas. Fruta do pomar. Uma alegria.

 

20180928_131227.jpg

 O que eu mais gosto nesta estação...

De observar as telas no horizonte em tons naturais. O Céu azul. As nuvens baixas a correr. O zumbido das abelhas. As borboletas de asas abertas ao sol a esvoaçar. 

 

Os dias são mais curtos. O dia desperta e termina cedo.

O que eu menos gosto nesta estação...

Não há bela sem senão...

IMG_0488.jpg

 

Complica um pouco a mudança para a hora de Inverno. Nos primeiros dias entro em negação. Gosto de luz. Gosto de sol. Fico um pouco melancólica. Depois passa. Tem de passar.

Afinal, nada veio para durar. Nem o Outono.

  

 

 

publicado às 00:08

Poucas?

IMG_0434.jpg

 

IMG_0435.jpg

 

IMG_0439.jpg

 

IMG_0445.jpg

IMG_0436.jpg

 

 ... vi foi muitas. Latadas carregadas de uvas a perder de vista.

 

Na terra recalcada dos vinhedos.
Um fermentar de forças e cansaços
Em altas confidências e segredos.

Laivos de sangue nos poentes baços.
Doçura quente em corações azedos.
E, sobretudo, pés, olhos e braços
Alegres como peças de brinquedos.

Fim de parto ou de vida, ninguém sabe
A medida precisa que lhe cabe
No tempo, na alegria e na tristeza.

Rasgam-se os véus do sonho e da desgraça.
Ergue-se em cheio a taça
À própria confusão da natureza.

Miguel Torga, In “O outro livro de Job

publicado às 09:00

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D