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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

Vem sentar-te comigo

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Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                   (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                   Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                   E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                   Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                   Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in "Odes"

 

publicado às 01:03

O Outono em desafio

 

Anita, agradeço e vou retribuir ao tema, o Outono.

 

 

REGRAS

  • Criar um post no blogue e fazer uma hiperligação para o blogue que me nomeou 
  • Copiar as questões e responder de uma forma rápida e directa 
  • Nomear 3 bloggers para responder ao desafio (esta parte vou passar)

 

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As minhas respostas: 

Para mim Outono rimava com a palavra...

morno.

Tem mudado. Nos últimos anos a temperatura tem subido, há calor a mais. E a comprovar as notícias dos vários incêndios.

Por este facto o Outono em alguns locais tem rimado com a palavra: forno

Muito calor. Muita desgraça. Muito prejuízo. Muita aflição.

 

As minhas cores de Outono são...

Continuo em cores de Verão. O calor assim o pede. Ainda não passei para os pretos. 

Na natureza aguardo a chuva para ver sobressair os amarelos, vermelhos, castanho claros, escuros e ainda os assim-assim, os verdes desmaiados e ainda o ocre.

 

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Eu não gosto de uma cor. Gosto da paleta toda. Como ainda não choveu fico feliz de ver o restolho espalhado nos campos e palha seca no monte. Fico hipnotizada quando lhe toca o vento e parece uma conversa entre vizinhas a esvoaçar.

 

A minha fruta preferida de Outono é...

Nesta época escolho uma suculenta maçã.  Adoro cheiro a compota acabada de fazer. E claro, quando o tempo esfriar castanha assada a fumegar.

 

 A maior celebração de Outono...

É sem dúvida a festa das colheitas. O milho doirado pelo sol. As uvas maduras e as vindimas. Fruta do pomar. Uma alegria.

 

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 O que eu mais gosto nesta estação...

De observar as telas no horizonte em tons naturais. O Céu azul. As nuvens baixas a correr. O zumbido das abelhas. As borboletas de asas abertas ao sol a esvoaçar. 

 

Os dias são mais curtos. O dia desperta e termina cedo.

O que eu menos gosto nesta estação...

Não há bela sem senão...

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Complica um pouco a mudança para a hora de Inverno. Nos primeiros dias entro em negação. Gosto de luz. Gosto de sol. Fico um pouco melancólica. Depois passa. Tem de passar.

Afinal, nada veio para durar. Nem o Outono.

  

 

 

publicado às 00:08

Poucas?

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 ... vi foi muitas. Latadas carregadas de uvas a perder de vista.

 

Na terra recalcada dos vinhedos.
Um fermentar de forças e cansaços
Em altas confidências e segredos.

Laivos de sangue nos poentes baços.
Doçura quente em corações azedos.
E, sobretudo, pés, olhos e braços
Alegres como peças de brinquedos.

Fim de parto ou de vida, ninguém sabe
A medida precisa que lhe cabe
No tempo, na alegria e na tristeza.

Rasgam-se os véus do sonho e da desgraça.
Ergue-se em cheio a taça
À própria confusão da natureza.

Miguel Torga, In “O outro livro de Job

publicado às 09:00

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