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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

O que preciso depois de um dia de shopping? Ou desta época?

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Um dia sem pressa. Sem quase nada. Para mim, é tudo.

 

Já por aqui confessei que não gosto de compras? Que o consumismo de "obrigação" me irrita? Que me sinto numa espécie de taquicardia por pactuar com trocas de presentes, sem sentido? (hoje tomei um antisstress, para sair de casa para o coração ir a trote).

Esta época é muito bonita enquanto somos, ou enquanto temos, crianças?

Isto, enquanto são mesmo crianças, de olhos que brilham. E os pedidos são o, apontar do dedo e sorrir. E não exigem.

Depois crescem uns centímetros e...

Aprendem a colecionar: Desejos. Perrices. Pedidos. Chantagem. E ainda, a acumular permutas de afetos e de tempo, por brinquedos. Muitos brinquedos.

Com quem aprendem? Connosco. Os educadores.

Mas não é só brinquedos e compras que me cansam. Não.

São: Os jantares de Natal.

Hoje é com os amigos.

Amanhã com os colegas.

Depois com os chefes.

No meio disto, os almoços com, os ex colegas.

E ainda, com os ex colegas, da ex empresa.

Das miguxas.

Dos miguxos.

 

Senhor: É preciso que o Natal seja mesmo Santo. Pois não há Santa paciência para tanta festa e tanta vontade de festejar.

Senhor: Enquanto isto, o comércio dá graças a Deus, e reza para que, assim continue a ser.

Que assim seja: Amén.

Oups!... Isto é apenas, um suspiro, o meu.

 

        Volto quando recuperar energias.  Espero que a tempo do

publicado às 01:08

Vem sentar-te comigo

20181113_093319.jpg

Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.
Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendamos
Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.
                   (Enlacemos as mãos.)

Depois pensemos, crianças adultas, que a vida
Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa,
Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado,
                   Mais longe que os deuses.

Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos.
Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio.
Mais vale saber passar silenciosamente
                   E sem desassosegos grandes.

Sem amores, nem ódios, nem paixões que levantam a voz,
Nem invejas que dão movimento demais aos olhos,
Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria,
                   E sempre iria ter ao mar.

Amemo-nos tranquilamente, pensando que podiamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
                   Ouvindo correr o rio e vendo-o.

Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as
No colo, e que o seu perfume suavize o momento —
Este momento em que sossegadamente não cremos em nada,
                   Pagãos inocentes da decadência.

Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois
Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova,
Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos
                   Nem fomos mais do que crianças.

E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio,
Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti.
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim — à beira-rio,
                   Pagã triste e com flores no regaço.

Ricardo Reis, in "Odes"

 

publicado às 01:03

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