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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

Monocromático...

WP_20170518.jpg

"Cinzas caem do céu

Desbotando as flores

Do meu plácido jardim

 

Sufocando o canto

Dos pássaros ao entupir

Seus bicos seresteiros.

 

Cinzas caem do céu.

São resultado do inferno monocromático

Que arde dentro de mim.

 

Cinzas vão se acumulando,

Roubando as cores sãs da vida.

Flocos gris tóxicos digerem tudo ao meu redor

 

Embalando os sonhos violados

Feito parafina, casulo perpétuo

E cinzento para as cores vivas."

 

THIAGO LUCARINI

 

publicado às 22:43

A pétala

IMG_2114.jpg

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

Cecícila Meireles

publicado às 00:59

Relâmpago

IMG_0246.jpg

" Rompe-se a escuridão quando ao olhar
para uma face o mundo se ilumina
com uma claridade repentina
capaz de, só por si, fazer brilhar

a substância tão irregular
de tudo o que se acende na retina
e através da luz se dissemina
por entre imagens vãs, até formar

um fluido movimento, uma paisagem
a que estes olhos quase não reagem
salvo se nesse instante o rosto for

transfigurado pela fantasia.
E às vezes é só isso que anuncia
aquilo a que chamamos o amor. "

Fernando Pinto do Amaral, in 'Às Cegas'

 

publicado às 00:37

Opostos, naturais.

arrefecer e aquecer: eis a questão

 

Quando Está Frio no Tempo do Frio


Quando está frio no tempo do frio,

para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.

Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno —
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no fato de aceitar —
No fato sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.

Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.

Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só corri a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o Mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

publicado às 00:06

Desvendando

I
Adorno as pessoas com amor,
Não vejo diferenças,
Vejo semelhanças,
Universos de lembranças,
Silêncios,
Inseguranças,
Mistérios no olhar,
Paisagens construídas vida após vida,
( pois temos vidas em demasia,
mais talvez do que se gostaria...)
II
É preciso observar e absorver,
Todos,
Em todo lugar,
Com alma, com calma,
(Viajar)
Nos caminhos, nos carinhos
Chegar perto de mansinho,
(Procurar)
Pedacinho por pedacinho,
Talhar,
À sentimentos, o arquear das faces num sorriso...
Adentrar,
As salas, os cômodos, os destinos...
(até alçar-se à íntegra parte da metade)

Texto de Marcos André Carvalho Lins (tomei emprestado, porque gostei.)
publicado às 00:57

Só como um veleiro, junto ao cais...

Ausência (Vinícius de Morais)
Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces... Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto... No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida... E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto... E em minha voz, a tua voz... Não te quero ter, pois em meu ser tudo estaria terminado... Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados... Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada... Que ficou em minha carne como uma nódoa do passado... Eu deixarei...Tu irás e encostarás tua face em outra face... Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada... Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu... porque eu fui o grande íntimo da noite... Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa... Porque os meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. E eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos Mas eu te possuirei mais que ninguém, porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas, serão a tua voz presente, tua voz ausente, a tua voz serenizada.
publicado às 01:59

Pois devia!

 

Devia ser assim. Uma árvore é uma árvore.

Há palavras que calam os desejos da árvore.

Mancham o verde com que dizemos árvore.

Assustam os pássaros nos olhos da árvore.

Mudam as vontades fermentadas na haste.

Cansam a árvore até morrer de tédio.

Devia haver um letreiro em cada árvore, digo,

no rosto da floresta: "Silêncio. A ler o vento.".


Licínia Quitério
 
publicado às 01:26

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