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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

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Gosto de andar sem pressa, ainda que a impaciência tenha pressa e corra comigo.

Ponto de luz...

candeeiro.JPG

 

De Quem é o Olhar

De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
Não os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo ?

Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Por mim próprio mesmo
Em alma mal existo,

Toma um outro sentido
Em mim o Universo —
É uma nódoa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha idéia das coisas.

Se acenderem as velas
E não houver apenas
A vaga luz de fora —
Não sei que candeeiro
Aceso onde na rua —
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora!

Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"
publicado às 23:28

Pedra

pedra de odeceixe.jpg

...de Odeceixe.

 

Falo de Ti às Pedras das Estradas

Falo de ti às pedras das estradas,
E ao sol que e louro como o teu olhar,
Falo ao rio, que desdobra a faiscar,
Vestidos de princesas e de fadas;

Falo às gaivotas de asas desdobradas,
Lembrando lenços brancos a acenar,
E aos mastros que apunhalam o luar
Na solidão das noites consteladas;

Digo os anseios, os sonhos, os desejos
Donde a tua alma, tonta de vitória,
Levanta ao céu a torre dos meus beijos!

E os meus gritos de amor, cruzando o espaço,
Sobre os brocados fúlgidos da glória,
São astros que me tombam do regaço!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas" 

 

publicado às 20:45

Miniaturas

laranja e azul.JPG

Muitas cargas fez este camião da TNT. Eram os carrinhos em miniatura que faziam as delicias do meu filho. Passava horas de joelhos viajando sobre uma manta quentinha rodeado por centenas deles. Centenas? Sim, centenas. Pelo Natal recebeu num ano, mais de 100 miniaturas. Acredito que foi a melhor prenda da sua vida, ainda que não tenha sido a mais dispendiosa.

RESTAM MUITOS CARRINHOS E AS LEMBRANÇAS.

Carros, hoje? Só dos que consomem Euros no depósito.

A vida não pára e eles crescem depressa demais.

- Saudades!

Mas continuas a ser o meu menino. Sempre!

publicado às 00:28

A minha vista sobre o mar...

VISTA PARA O MAR.JPG

O mar está torto!

E que importa? Gosto de o ver, assim, inclinado.

Podia mostrar mais mar? Podia. Mas é este pedaço, somente este, que quis guardar. 

Se podia endireitar o mar? Podia, deixando a janela inclinada.

Entre isto e aquilo, escolhi isto. Muitas vezes vejo o mar contorcido parecendo querer desabar.

Dizem: aqui, o mar está mais alto que a terra. - Acredito. Basta assistir a um dia de tempestade e ver os estragos quando galga as barreiras que vão construindo na tentativa de o manter controlado.

Gosto de o ver do meu T0 sem telhas e sem condomínio privado. Hoje foi meu, amanhã é de quem lá passar. O mesmo lugar, um outro olhar.

publicado às 23:06

Sabor a maresia

DSCN6181.JPG

Rangendo ameaçador debate-se o bravo mar em ira contra quem, ou o que, se lhe atravessa ou vai desafiando.

Assim, pudesse eu. Assim, pudéssemos nós. Descarregar a indignação, a frustração e a mágoa, contra o que, ou quem, nos desafia a paciência...

Criaríamos, tal qual o mar, a nossa maré de revolta libertando o espírito com respingos e ressaltos de espuma, até se aproximar de novo a hora da acalmia na maré vaza. 

 

Rodopio no alto da falésia em pensamentos loucos. Olhar de cavalo desembestado. Ai, como invejo essa liberdade e as regras que impões ao que te rodeia e mudas em teu proveito. Ser dura rocha ou macia areia? Pouco importa. O mundo é teu. Tudo, tomas. Tudo te pertence.

E eu mar? Quem sou, que não me reconheço? Será perturbação pela tua infindável energia, que me faz sonhar que, um dia, me deixarás abraçar-te amansando esse desassossego das tuas revoltas águas em meu regaço?

Olhando-te assim, fixamente, lembrei, não passo de uma pequena intromissão. Sou mera e insignificante prosa ou filosofia. Se eu te vi e me afeiçoei, nada me impedirá de te querer, ainda que tu, não me queiras de igual forma. E mesmo que, nunca te chegue a abraçar, também tu, nunca me impedirás de o deixar escrito.

Afinal: Se tu és livre. Eu também sou. Sabes a maresia. 

publicado às 01:27

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